sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Bonito Lone Wolf Road Trip





























Em dezembro de 2010, na semana entre o Natal e o Ano Novo, Rosina estava na sua terra, visitando a família, e eu estava meio de saco cheio de praia, em nossa casinha na Garça Torta, litoral norte de Maceió. Dei uma olhada na previsão do tempo e peguei a estrada rumo ao norte, no município de Bonito/PE.

Conhecida por suas cachoeiras e belas paisagens, estive em Bonito pela primeira vez no (tranqüilo) carnaval deste mesmo ano, quando acampamos com alguns amigos e suas crianças. Então, no final do ano, voltei sozinho ao mesmo destino, o Camping do Mágico.

O bacana deste lugar é que, além de ter restaurante, simples, de comida boa e bons preços, com estrutura de banheiros, o rio e a Cachoeira do Mágico ficam dentro do terreno do camping. Passei dias cujo único compromisso era encontrar lenha. E noites solitárias e felizes, de luar, fogueira, violão e som de água. Armava minha fogueira lá embaixo, depois da queda d’água, bem longe de gente (nada pessoal).





























Como chegar?

Saíndo de Maceió pela BR 101 rumo a Pernambuco. É possível seguir pela mesma estrada até Palmares e pegar o acesso pra Bonito. Prefiro o caminho mais longo, com menos caminhão na estrada e paisagens mais lindas. É só pegar a esquerda em Messias rumo a União dos Palmares até Quipapá/PE, daí pega a direita até Catende e Bonito. Esta estrada pra União em Alagoas está ótima, mas a de Pernambuco tá meio detonada em alguns trechos já próximo de Bonito.

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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O Velho Defronte a Catedral






































Quadrinhos que fiz, sei lá, mais de 10 anos atrás, em homenagem a um velho senhor, que nunca soube o nome, morador de rua, que habitava a calçada em frente à Catedral de Maceió, e de costas para a Assembléia Legislativa, no centro da cidade. Por muitos anos ele viveu ali. O ponto do muro onde ele ficava sentado tinha uma mancha com a forma do seu corpo, uma marca da sua presença, por algum motivo de sua preferência ou necessidade, naquele exato lugar. Marcado, ano após ano. E creio que ficou ali, gravado, por um bom tempo, sua forma no muro, após sua morte/desaparecimento/abdução ou outro destino desconhecido.

Todo mundo com mais de 30 anos deve lembrar do cara. Personagem da cidade, lembro que era mencionado em conversas, nos bares e festas, onde escutei todo tipo de lenda a seu respeito. De que era culto e articulado, bem informado sobre política e que detestava jornalistas (só ele né?). Ouvi falar de estudantes de jornalismo e profissionais que tinham ido tentar uma entrevista com o cara e foram dispensados sem cerimônias.

Não duvido, já que eu mesmo conheci pessoas extremamente profundas e cultas, em uma época bukowskyiana e etílica da minha vida, anos atrás, quando me amarrava em trocar idéia com moradores de rua no oco das madrugadas, em Maceió ou em Sampa, para compartilhar algo, tentar entender a vida do cara, sei lá, coisa de repórter, ou de bêbado, mas tive umas conversas inesquecíveis com alguns desses caras. Hoje sou quase abstêmio, o que me trás grandes vantagens, mas me priva de coisas incríveis como algumas conversas que tive com alguns desses caras. Me arrependo de não ter tentado conversar com o cara da catedral, admito, principalmente por total medo da lenda de seu humor com jornalistas.

Verdade ou mito, deixo aqui minha sincera homenagem aquele velho defronte a catedral.

(Participação especial de Alvinho Cabral, que desenhou uns planetas brilhantes que parecem umas bolas de sinuca :)

Fazenda Remanso, mergulho no São Francisco





























E eu que achava que já conhecia bem o município de Piranhas, na minha opinião, o lugar mais lindo de Alagoas. Eu e Rosina fomos apresentados ao Remanso por nossa amiga Evelina, que sempre falava deste local às margens de um transparente, cristalino, azul e verde esmeralda, Rio São Francisco.

A Fazenda Remanso, no distrito de Entremontes, alto sertão alagoano, funciona como pousada, tocada por sua proprietária, Jacqueline, com quartos de 110 reais para até 3 pessoas, simples e confortável, com ar condicionado e serviço de quarto. A comida do lugar, capitaneada pela simpática Cila, é um espetáculo a parte, com refeições como a pituzada e a tilápia. O café da manhã, incluso no preço do quarto, é bem servido, e típico da região, muito cuscuz, inhame, queijo coalho e frutas da estação.

Mas o maior espetáculo é o próprio São Francisco, limpo e cristalino neste trecho, de águas calmas próximas das margens. O banho refrescante naquelas paragens semi-desérticas é uma delícia difícil de descrever. Também é possível alugar os serviços da canoa do Seu Raul, para a prainha deserta na margem oposta, em Sergipe, ou visitar Angico, e fazer a trilha onde Lampião teve seu derradeiro fim, conhecer Entremontes, suas rendeiras e centro histórico, ou mesmo ir à Piranhas, a cidade lapinha do São Francisco.

Como chegar?

300 Km saindo de Maceió pela AL 101 Sul. Na Barra de São Miguel seguir pelo acesso até a BR 101. Na BR 101, virar a esquerda (sentido sul) até o entroncamento com a AL 220, pegue esta estrada até o distrito de Piau. Em Piau, entrar na última rua asfaltada a esquerda e seguir em frente até virar estrada de terra. Daí em diante é só seguir as placas pra Entremontes, antes de chegar lá vai encontrar a entrada com indicação pro Remanso. Ufa! Mas vale à pena.

Fotos da Viagem (fotos PB e noturnas por Rosina Pérez).















Rochedo de Penedo!




































Olá! Depois de um hiato sem postar nada por aqui, graças a um período de muito trampo e pouco tempo, retomo minha conversa fiada, meu papo furado, nestas páginas onde poucos e bons se interessam por minhas lorotas sobre minha banda, literatura, quadrinhos, cinema, música, viagens, ou o que porra der na telha.

Nesse meio tempo, o Coisa Linda Sound System se dividiu entre finalizar a Turnê Da Vida e do Mundo (2009/2010) e as gravações de Rochedo de Penedo (2010), nosso terceiro disco, recém saído do forno.


























O disco foi lançado em um belo evento no Teatro Linda Mascarenhas, em 18/12/10, onde tocamos para um auditório lotado de pessoas interessadas em nossa música, e que espero, tenham curtido tanto aquela apresentação quanto nós quatro da banda (vídeos do lançamento nos últimos posts abaixo). Este show também marcou a estréia de nosso novo batera, Felipe Gomes, que substitui o Peixinho, grande amigo e músico, que deixa as baquetas do grupo tendo prestado grandes serviços, tomado muitas cervejas e dado muita risada, nessas nossas tocadas por aí, na vida e no mundo.

Rochedo de Penedo também marca a chegada do Dinho Zampier para o núcleo criativo da banda. No primeiro disco, Marcelo Cabral e Trio Coisa Linda (2005), apesar da co-produção do Aldo, foi um processo bem solitário para mim, apesar de contar com diversas participações de amigos, grandes músicos, que ajudaram a construir aquela sonoridade. Em Da Vida e do Mundo (2009), nosso segundo trabalho, já como Coisa Linda Sound System, o Aldo Jones passou a integrar este núcleo comigo. Com Rochedo de Penedo (2010), agregamos o Dinho neste processo, o que enriquece nossa música, tornando ainda mais diversificados os nossos horizontes de composição. Músicas como Grude, uma das minhas preferidas, e Rochedo de Penedo, que dá nome ao disco, são composições do Dinho, que também assina parcerias comigo e Jones, como Gravidade, outra música que gosto muito. (clique nos links para baixar).















O disco tem como paisagem o Rio São Francisco e a cidade histórica de Penedo, aqui em Alagoas. Não só Penedo, mas toda nossa região banhada por este rio incrível. Tenho uma forte ligação com esta paisagem/povo/cultura, que faço questão de visitar sempre que posso, e que inspirou as canções e temas instrumentais deste disco.

Regional? Por qva?

Um grande desafio, ao escrever e elaborar o conceito do disco era não cair em um “regionalismo” óbvio, cheio de tambores e pandeiros, macaqueando, papagaiando (no sentido de imitação), uma cultura ribeirinha, linda, que admiro, mas que não faz parte da minha formação musical de cara da capital, e que não soaria real. Trabalhamos um disco de música contemporânea, universal, com referências sutis que remetem à paisagem em questão. Acredito que a arte não precisa ser óbvia. Pelo contrário, degustada, digerida, entendida de forma subjetiva e aos poucos por cada um, e que cada um tire suas conclusões. Mas acho muito estranho quando chamam nosso som de regional. Bom, Vamos lá...

O samba carioca é regional? Não né? É carioca! Música baiana é música baiana, não é regional, certo? Então o que é esse tal de regional?

Pra mim soa como um termo preguiçoso e quase pejorativo, como “paraíba” pra designar “nordestino”, outro termo que também não gosto, me parece jogar tudo no mesmo saco, o que me remete a este debate que levantei no artigo “Pelo Fim do Nordestino”, publicado no Overmundo. Leia e diga o que acha.

É uma forma bem american way de pensar. É como a entrega do Oscar certo? De "Melhor filme estrangeiro". Ou seja, o que é americano é universal, todo o resto é periférico, exótico, latino, asiático, "regional".

Bom, muito tempo sem escrever, já falei demais, volto depois com outras puias e glosas. Até lá!