quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Teló, BBB e a “patrulha do bom gosto”


“Tenho enorme receio quanto a essa patrulha do ‘bom gosto’ envolvendo música”. Com estas palavras, em seu twitter, o talentoso músico e produtor paulistano Daniel Ganjaman, do núcleo de produção musical INSTITUTO, disse exatamente o que eu estava pensando naquele momento. Nem sei sobre o que exatamente Ganjaman estava falando, mas mandei retweet na hora, dado a alvoroço sobre a “polêmica” manchete de capa da revista Época, que vendia Michel Teló como queridinho da classe média brasileira, o que parece ter ofendido a parcela que se considera mais “pensante” deste mesmo segmento.

Cara, você não gosta da música do Michel Teló? Grande coisa, também não gosto, então, desliga o rádio, muda a estação ou coloca o teu mp3 do Chico Buarque pra tocar no som chic do seu carro, meu bem! Não gosta de BBB? Então, C@%*#¨! Muda de canal, e não enche o saco!

Ao bem da verdade, como muita gente que não acompanha este gênero de música, eu também soube de Michel Teló quando vi o garoto estampado na capa da Época, enquanto procurava minha edição mensal da revista Vertigo. Só fui escutar, de verdade, a tal música, muito depois de escutar as indignadas reclamações sobre a canção do rapaz. Coisas incríveis como “isto devia ser proibido”, ou “onde este país vai parar?” e um sem número de posturas deste tipo. A meu ver: Elitistas e preconceituosas, por mais eu que defenda o direito das pessoas manifestarem suas opiniões democraticamente e tal. Afinal, estou fazendo isto agora.

Quanto à música em si, pensei que encontraria uma verdadeira ode ofensiva contra a moral, os bons costumes, e a civilização ocidental como um todo... já estava quase gostando do sujeito. Imagine minha decepção ao encontrar uma dessas canções facinhas e inofensivas, projetadas pra dar certo e colar como chiclete na cabeça e nos quadris do belo povo brasileiro. Super pop. Sucesso total. Qual a surpresa nisso?

Fico pensando que muita gente desta suposta “elite intelectual” poderia colocar suas brilhantes cacholas para pensar coisas mais importantes, em construir soluções para problemas mais relevantes, se é que Teló é problema, eu não acho. Só o setor cultural mesmo, por exemplo, tem várias questões práticas para serem pensadas hoje no país e regionalmente. Muitas das pessoas da “patrulha do bom gosto” reclamam de pagar 20 ou 30 reais para assistir espetáculos de artistas e autores locais, que eles consideram “de qualidade”, em suas cidades, mas estão preocupadas com o que o pessoal escuta no rádio ou assiste na TV.

O mal televisivo do século

Sobre o Big Brother Brasil, mal começou a edição deste ano, já começa a chover emails na minha caixa de entrada. De “intelectuais” indignados com a pobreza de conteúdo, da baixaria, da banalização disso e daquilo, blá, blá, blá.

Pessoal. O BBB esta em sua DÉCIMA SEGUNDA EDIÇÃO (12ª) no Brasil. De novo a pergunta: Qual é a surpresa???

É um formato que vingou totalmente na televisão mundial do reality show. A idéia de colocar alguns humanos como ratos de laboratório em um daqueles pequenos labirintos de vidro funcionou. Os outros formatos televisivos passavam por certo desgaste, etc e tal. Alguém surgiu com este formato. Deu certo. Pimba! Enquanto o povo gostar, o pessoal da TV ganha sua grana, os anunciantes vendem seus produtos, quem gosta de assistir tem sua diversão, e todo mundo fica feliz. Fim da história. A mesma coisa com o Michel Teló, o menino tem uma super produção, esquemão profissional, deve estar empregando um monte de gente, de roadie a técnico de som, ao ambulante que vende um rango de rua na saída do show dele. Enfim, deixem o menino ganhar seu dinheiro em paz caramba!

Resumindo então. Meu recado pra “patrulha do bom gosto” é viva e deixe viver meu caro. Escute e assista o que quiser, o controle remoto é sua maior arma, mas não seja o ditador do gosto dos outros. Ou como dizia o poeta, “cada um no seu quadrado”. Se quiser chorar as pitangas do mau gosto nacional, faça isso entre os seus, durante o chá das 17:00h, mas não fica entupindo as redes sociais e indefesas caixas de emails da gente humilde e trabalhadora como eu, de “menas leitxura”, que, certamente, não precisa de sua ação vigilante para nos defender dos males da cultura de massa contemporânea.

O caso Veríssimo

Este, pra mim, foi o cúmulo do patrulhamento, do tipo mau-caráter e mentiroso. Papo de falsidade ideológica. Vejam só. Os patrulheiros chegaram ao ponto de criar textos e perfis fake de personalidades para dar credibilidade a sua propaganda anti-mau-gosto e anti-BBB. O Luís Fernando Veríssimo, conta, via Blog do Noblat, sobre o tal texto atribuído a ele, que não é de sua autoria, mas assinado como sendo dele e que circula na rede, criticando o BBB. No blog, ele diz que as pessoas não se conformam quando ele esclarece que não escreveu aquilo. Muito engraçado. Vale à pena conferir aqui.

Quando digitei o nome do escritor Veríssimo e do popular programa televisivo na busca do Google, o resultado mostrou o texto falso atribuído a Veríssimo, que desce a marreta no BBB, postado e re-postado com orgulho paladino em diversos sites, na sua maioria, religiosos. Parece que finalmente, “intelectuais” e religiosos encontraram uma luta em comum para partilhar. Que Deus tenha piedade de nós.

(Crédito da imagem: G. Kapustjanskiy / CC-BY-SA 3.0. Fonte: Wikimedia Commons - "Soviet soldiers in Great Patriotic War").

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Revista Overmundo

Nesta Edição, leia minha matéria sobre a Mulher da Capa Preta, personagem da popular lenda urbana do Cemitério da Piedade, em Maceió. Baixe a revista aqui.

A Revista Overmundo é uma publicação bimestral semitemática. Com versões para diferentes dispositivos de leitura digital, suas páginas apresentam um vasto e colorido panorama da cultura brasileira.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Pelo fim do "nordestino"

(Texto publicado originalmente no Overmundo em 30/01/2007)

Muito se fala sobre o preconceito que os nordestinos sofrem nas grandes capitais do sudeste, mas em minhas andanças por essas bandas, vi pouco disso na verdade. Claro que sou nordestino fajuto, nasci na cidade de São Paulo, mas tive minha formação em Maceió, capital do estado de Alagoas, desde os três anos de idade (ou seria um paulista fajuto? Ou ainda um alagoista?).

Preconceito declarado, discriminação mesmo, nunca vi, mas um desconhecimento inacreditável da mais básica geografia brasileira, isso muito.

Não posso contar, nos dedos das mãos e dos pés, quantas vezes me encontrei nesta situação: Alguma festinha ou reunião de qualquer natureza, onde algum cidadão, minutos depois de me conhecer (quem apresenta já diz de onde você é, como um sobrenome, mas nada contra) chega e me pergunta: “sim amigo, mas lá em Fortaleza, tal e coisa?” como se fosse na esquina da minha casa! Então eu respondo que Fortaleza está tão distante de Maceió quanto Belo Horizonte (aproximadamente).

Aliás, foi lá em BH que uma vez um amigo do meu amigo me disse “poxa, você é do Nordeste, quando passar pela Passarela do Álcool, lembre que eu blá blá blá, num sei o quê por lá”. Respondi pra ele que nunca estive em Porto Seguro, ele achou estranho, por eu ser nordestino, mas expliquei que a tal Passarela é bem mais perto de onde ele mora que Maceió algumas centenas de km. É do lado de BH.

Muito sujeito cheio de título, curso disso e daquilo, já chegou pra me perguntar se Maceió é a capital de Aracaju, entre outras atrocidades. Ajuda aí né amigo? Se fosse uma coisa rara de acontecer, vá lá, tudo bem, mas acredite, é constante e corriqueiro.

Muito me estranha que o carioca seja carioca, com sua identidade e lugar no espaço territorial desse Brasil nacional, e não sudestino. O carioca é carioca, o mineiro é mineiro, tal qual o paulista e também o capixaba. Ninguém é sudestino.

Essa coisa do termo “nordestino”, e até do orgulho de sê-lo, é um tanto equivocada, coloca todo mundo no mesmo saco de farinha, da mesma forma que as generalizações “baiano” e “paraíba”, tão usadas em São Paulo e Rio de Janeiro respectivamente.

Nada contra os baianos e os paraíba(nos), muito pelo contrário, mas, bem, eu sou alagoano, não porque isso seja lá grande coisa, sem essa de nacional-fascismo do tipo “minha terra, minha cultura e minha praia são melhores que as dos outros. Se discordar, peixeira”. Nada disso, é uma questão de dar nome aos bois mesmo, e de recuperar aquelas aulas de geografia que, sem dúvida, muita gente Brasil afora matou ou bombou forte.

Esse termo, tão usado, tão comum, o “nordestino”, alimenta a preguiça em relação a pensarmos melhor o nosso País, conhecê-lo o mais de verdade possível, sem colocar “aquele amontoado de estados pequenos”, seus povos e culturas, sotaques e costumes, na mesma categoria: “Os nordestinos”.

De Maceió até Recife são menos de 300 Km, Alagoas já fez parte da capitania de Pernambuco. No entanto, em Maceió, eu vou à casa DO fulano, e em Recife eu vou à casa DE beltrano, entre todas as incontáveis diferenças. E viva a diferença!

“O nordestino” é uma construção cultural e histórica que perpetua o preconceito de uma forma muito sutil. Portanto eu digo: Pelo fim do nordestino! Vamos acabar com isso gente, deixa dessa...

Antes de terminar, preciso contar mais um causo desses, um dos meus preferidos. Estava hospedado na casa de uma amiga de Alagoas que vive em Porto Alegre. Nessa época, ela morava com uma estudante de Relações Exteriores (!) gaúcha de vinte e poucos anos que me disse o seguinte: “Antes de morar com uma nordestina, eu pensava que o nordeste era ali onde tem a seca e aquela coisa toda...como chama mesmo?” eu respondi “sertão” e ela continuou “isso mesmo, achava que o sertão era o nordeste e que o norte era ali onde tem aquelas praias tropicais bonitas com coqueiros”.

E pra acabar com a conversa: um brinde aos paraibanos, pernambucanos, potiguares, cearenses, baianos, sergipanos, alagoanos, maranhenses e piauienses!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Sexta 02/12 - Coisa Linda Sound System no Banga Bar
























Depois de alguns meses sem tocar em Maceió, após o lançamento de Rochedo de Penedo, nosso terceiro disco, voltamos aos palcos maceioenses com um show onde apresentamos algumas músicas do novo trabalho, além de músicas antigas, dos discos anteriores, Da Vida e do Mundo (2009) e Marcelo Cabral e Trio Coisa Linda (2005). A noite marca o lançamento do artista Yan Simou, e também vai rolar Além de Nós levando uns cover pra galera. Enfim, vai ser massa! Apareçam!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Coisa Linda Sound System ao vivo em Penedo

Após lançar o disco Rochedo de Penedo e rodar um videoclipe na cidade histórica, a banda se apresenta no Festival Gastronômico do Baixo São Francisco.

Penedo. Cidade histórica ao sul de Alagoas, nas margens do velho Rio São Francisco. Lugar de paisagens incríveis e sabores marcantes. Estive na cidade para uma apresentação da nossa banda, Coisa Linda Sound System, na programação do Festival Gastronômico do Baixo São Francisco, onde a verdadeira atração é este réptil mágico, este animal delicioso, ele, o jacaré!

Comigo, meus comparsas musicais, Dinho Zampier, Aldo Jones e Felipe Gomes, nosso vegetariano de plantão, que não se deliciou com nenhum dos animais comidos neste evento, como siris, camarões e outros bichos.

Chegamos à tarde de sábado, 29 de outubro, data do nosso show, e guardamos nossas bagagens no albergue da Universidade Federal de Alagoas, com uma vista espetacular do Velho Chico. O curso de Turismo produz o evento gastronômico há quatro anos em Penedo, cidade que inspirou, ao lado do Rio São Francisco, o nosso novo disco, Rochedo de Penedo, o terceiro do Coisa Linda Sound System.

Recentemente também lançamos um videoclipe rodado na cidade, e o convite para tocarmos no festival surgiu em um bom momento, até porque estávamos com muita fome! De palco, e de prato.

Seguimos para a passagem de som. O palco era bacana e o som parecia bom, um verdadeiro milagre, considerando as roubadas que costumamos enfrentar nas tocadas em Alagoas e outros Estados. A atmosfera era de beleza e poesia. O pôr do sol, o rio em tons prateados, o centro histórico, e uma jacarezada para mil pessoas sendo preparada neste cenário!

Feito com dendê e leite de coco, trata-se de uma muqueca meu amigo, das melhores. A parte mais apreciada do nosso querido réptil é a cauda, onde se encontra uma carne perfeita, saborosa e distinta. Em geral, as pessoas tem esta necessidade de comparar,”parece peixe” diz um, “bacalhau do São Francisco”, chama o outro. Para mim, tem um gosto de jacaré danado! Diferente de tudo.

Depois de uma longa espera, finalmente mandamos o jacaré pra dentro, servido em um pratinho de plástico, trazido ao palco pelos produtores. Agora sim, passamos o som satisfeitos, e fomos nos preparar para o show mais tarde.

Som e sabor

Contrariando todas as expectativas de tocar no interior de Alagoas para um público que não conhecia o nosso trabalho, fomos surpreendidos por um show perfeito, e uma receptividade positiva do público, que comprou um bocado de discos após a apresentação. Uma noite e tanto para a banda.

Animados, seguimos comendo e bebendo após o show, cerveja e umas cachaças artesanais que distribuíram por lá. Enquanto os camaradas do Alma de Borracha faziam um som, circulamos pelas barraquinhas de comida do evento, onde os comerciantes locais faziam a festa. O dinheiro circulando e as bocas salivando. Bonito de ver. Segui o conselho da amiga Melissa Mota, secretaria de infraestrutura do município, e mandei um pastel de siri na Barraca do Siri. Uma delícia frita, crocante, recheada com filé de siri e catupiry cremoso. Se é leve? Não meu caro! Nem a pau!

Ainda iríamos a alguns bares, comer mais, beber mais. E assim terminou uma noite perfeita. A manhã seguinte nos aguardava com uma ressaca assassina, que seria curada pelo almoço, a convite de Melissa: Uma camarãozada maravilhosa, e claro, mais jacaré, preparados pela Dona Vera, no restaurante Forte Maurício de Nassau. Agora, hora de dormir. Valeu Penedo.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Coisa Linda Sound System lança videoclipe rodado na cidade histórica de Penedo



Rochedo de Penedo, faixa título do novo disco da banda alagoana, ganha versão audiovisual

A cidade histórica de Penedo, às margens do Rio São Francisco, na região sul do estado de Alagoas, foi locação obrigatória para rodar o videoclipe da faixa instrumental Rochedo de Penedo, que dá nome ao novo álbum da banda alagoana Coisa Linda Sound System. Cidade e rio serviram de inspiração para o grupo escrever um disco de música contemporânea que foi bem recebido, tanto pelo público, como pelos blogs e sites especializados em música independente de todo o país, conquistando o 2º lugar na votação popular da categoria “Disco do Ano” no tradicional Prêmio Uirapuru de Música Brasileira, promovido pela revista/blog O Dilúvio, de Porto Alegre/RS.

O clipe foi dirigido pelo compositor e músico Alvinho Cabral, da banda Fino Coletivo, e Eduardo Bahia, integrante do grupo multimídia Saudáveis Subversivos, a edição também é assinada por Alvinho Cabral. O diretor estreante falou sobre a experiência e de seu interesse em dialogar com outras linguagens artísticas além da própria música, migrando também para a seara do audiovisual. “Acredito que é importante, para qualquer artista, diversificar seus horizontes e explorar outras linguagens. Além de ter sido muito divertido nossa passagem por Penedo, onde inevitavelmente comemos uma tilápia no restaurante Forte da Rocheira, que freqüentava com meu pai quando era pequeno, e admiramos a beleza da paisagem do Rio São Francisco”.

Captado em tecnologia Full HD e câmera de aparelho celular, o videoclipe tem roteiro do compositor, vocalista e baixista da banda, Marcelo Cabral, idealizador do conceito do disco. Já a música Rochedo de Penedo, é de autoria do tecladista do grupo, o compositor Dinho Zampier. O lançamento online do videoclipe já está disponível para o público no canal de vídeos da banda no Youtube, entre outros espaços online como Myspace e mídias sociais.

Rochedo de Penedo (2010) é o terceiro disco lançado pelo grupo Coisa Linda Sound System. Além de Marcelo e Dinho, integram a banda o baterista Felipe Gomes e o guitarrista Aldo Jones. O álbum também contou com a participação de outros músicos durante as gravações de Rochedo de Penedo, como o guitarrista João Paulo, da banda Mopho, Fipa Vazques, do duo paulistano de música eletrônica Minima, e o músico e produtor Sergio Soffiatti (OBMJ), que também assina a mixagem e masterização da obra.

Serviço:
Lançamento do videoclipe Rochedo de Penedo, da banda Coisa Linda Sound System
Direção e edição: Alvinho Cabral
Direção de fotografia: Eduardo Bahia
Roteiro: Marcelo Cabral
Exibição: Canal Youtube da banda
Artista: Coisa Linda Sound System
Música: Dinho Zampier
Contato: (82) 9912-0245 coisalindasoundsystem@gmail.com
Coisa Linda Sound System na Web: Myspace http://myspace.com/coisalindasoundsystem
Flickr http://flickr.com/coisalindamusic Twitter @davidaedomundo Siga também no Facebook.